Obra imprescindível em tempos de suposta "meritocracia".
Reviews and Comments
Mi ankaŭ legas en #Esperanto.
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Gabriel André commented on Vidas secas by Graciliano Ramos
Gabriel André rated Vidas secas: 5 stars
Gabriel André reviewed Idoj de la imperio by Kalle Kniivilä
Skribita ĝustatempe
5 stars
Se tiu libro estus skribita antaŭ 2014 aŭ post 2022, ĝi eble estus tute malsimila. Fakte, ripeti ĉi tiun vojaĝon tra la ruslingva Baltio por ekscii kiel la opinioj de intervjuitaj uloj ŝanĝiĝis (aŭ ne) post la direkta rusa invado de Ukrainio estus revo. Ĉiuokaze ĝi estas fundamenta verko por kompreni la konflikton pri ruslingvaj komunumoj en eksaj sovetaj respublikoj, ĉar sinjoro Kniivilä transskribas ĉiajn voĉojn kaj opiniojn.
Gabriel André rated Idoj de la imperio: 5 stars

Idoj de la imperio by Kalle Kniivilä
Nefikcia libro en Esperanto. Raportoj kaj intervjuoj. Kien sopiras la ruslingvanoj de Baltio, kiam ili sopiras hejmen? En Estonio, Latvio …
Gabriel André reviewed Trabalhos e paixões de Benito Prada by Fernando Assis Pacheco (ASA literatura)
Único e, por isso, imprescindível
4 stars
Os galegos são omnipresentes na literatura portuguesa até a metade do séc. XX, mas habitualmente como personagens secundárias caricaturais ou simples tipos sociais. Ora bem, Assis Pacheco, ele próprio descendente de galegos, transforma não apenas o próprio Benito Prada, mas o próprio fenómeno migratório em protagonista. Simultaneamente, realizamos um percurso paralelo pela política galega e espanhola do momento, desde a ótica do cidadão comum. Apesar de existirem alguns erros históricos (como o facto de as personagens cantarem a Rianxeira 20 anos antes de ser escrita), estes são poucos, compreensíveis e perdoáveis.
Gabriel André finished reading A Minha Irmã é uma Serial Killer by Oyinkan Braithwaite
Content warning Spoiler só quanto aos temas tratados
Estava à procura de um romance para sugerir aos meus alunos como leitura opcional em português. Por uma parte, não queria que tivesse demasiadas camadas, dado que ainda não estão habituados a ler em português e a adaptação à ortografia faz com que se cansem antes. Por outra parte, também não queria uma leitura totalmente superficial. Acho que cumpre os requisitos: o facto de estar ambientado na sociedade de classe média-alta nigeriana é perfeito para quebrar preconceitos, à vez que são confrontados com aspetos culturais próprios desde a perspetiva autóctone. Do mesmo modo, o humor absurdo, aliado ao tema da violência machista no seio da família, brinca com as nossas emoções de maneira brilhante.
Gabriel André rated A Minha Irmã é uma Serial Killer: 4 stars

A Minha Irmã é uma Serial Killer by Oyinkan Braithwaite
"Satire meets slasher in this short, darkly funny hand grenade of a novel about a Nigerian woman whose younger sister …
Gabriel André commented on Idoj de la imperio by Kalle Kniivilä
Mia nova lego!
Gabriel André reviewed Pedro Espanhol by José do Patrocínio
Romance de contrastes
3 stars
Content warning Spoilerzitos
Pedro Espanhol foi um bandido real de origem galega que operava no Rio de Janeiro. Patrocínio retoma o personagem como protagonista desde romance.
Julgo que a maior parte das críticas são severas demais com este livro. Efetivamente, podemos apontar vários defeitos, principalmente na primeira metade ambientada no Portugal pós-terramoto: narração mais plana e, principalmente, bastantes imprecisões históricas. Como algumas pessoas já notaram, a primeira e a segunda metade do romance podiam ser obras independentes, mas da mesma série ("As origens de Pedro Espanhol" e "Os derradeiros anos de Pedro Espanhol", poderiam ser intituladas). Se a primeira tivease sido resumida num par de capítulos e acrescentada à segunda, ficava um romance perfeito.
Ora bem, a segunda parte do romance está claramente muito melhor construída: navegamos pela psicologia complexa de diversas personagens que, por um ou outro motivo, são arrastadas ao mundo do crime. Jogos de poder, discriminação de género e racial, a prostituição assimilada à escravatura, a corrupção política... José do Patrocínio, pelas suas origens e profissão, deve ter conhecido muito bem situações como as descritas. Aliás, consegue fazer-nos sentir uma certa empatia a respeito de Pedro Espanhol e José Algarve, pois não são psicopatas nem permenacem imunes ao caráter hediondo dos seus crimes.
Jogar em duas ligas ao mesmo tempo
5 stars
Comecei o livro à procura de informações sobre a espionagem em Lisboa durante a II Guerra Mundial para um projeto pessoal. Acabei o livro com algumas informações sobre esse aspeto da história de Portugal, mas também a mergulhar na personalidade de Salazar e a entender melhor como raio conseguiu aguentar-se na cadeira (piscadela, piscadela) tanto tempo. Trata-se de um trabalho extraordinariamente documentado e, simultaneamente, divulgativo. 100% recomendado.
Gabriel André started reading Lisboa A guerra nas sombras da Cidade da Luz, 1939-1945 by Neill Lochery
O fascismo não admite a neutralidade
5 stars
A história do esperanto sob o fascismo é a demonstração dos do perigo de pretender não significar-se politicamente. O movimento esperantista nasceu para resolver a questão dos desequilíbrios de poder entre falantes de línguas diferentes (pretende ser uma língua auxiliar fácil de aprender a fim de evitar que tenham de mudar de língua sempre os mesmos), mas sem pretender entrar noutras questões políticas. Esta suposta "neutralidade ideológica, a ideia de não incomodar ninguém para poder sobreviver, arrastou boa parte dos esperantistas europeus para campos de concentração. O fascismo não aceita a neutralidade: se não concordares connosco, és contra nós; e mesmo se colaborares connosco, se tiveres alguma ideia mais ou menos exótica, também és um perigo potencial.
Por outra parte, a história do debate sobre o "Esperanto" fornece argumentos úteis para combater a falácia de "a língua só serve para comunicar". Uma língua que não evidencia a hegemonia de …
A história do esperanto sob o fascismo é a demonstração dos do perigo de pretender não significar-se politicamente. O movimento esperantista nasceu para resolver a questão dos desequilíbrios de poder entre falantes de línguas diferentes (pretende ser uma língua auxiliar fácil de aprender a fim de evitar que tenham de mudar de língua sempre os mesmos), mas sem pretender entrar noutras questões políticas. Esta suposta "neutralidade ideológica, a ideia de não incomodar ninguém para poder sobreviver, arrastou boa parte dos esperantistas europeus para campos de concentração. O fascismo não aceita a neutralidade: se não concordares connosco, és contra nós; e mesmo se colaborares connosco, se tiveres alguma ideia mais ou menos exótica, também és um perigo potencial.
Por outra parte, a história do debate sobre o "Esperanto" fornece argumentos úteis para combater a falácia de "a língua só serve para comunicar". Uma língua que não evidencia a hegemonia de uns povos sobre outros só interessa aos perdedores desse confronto. Para o dominador o esperanto é tão inconveniente quanto um dominado insubmisso.
Relativamente à União Soviética, este volume acaba "in media res", de maneira que não posso opinar. Será uma das próximas leituras.

Dangerous language : Esperanto under Hitler and Stalin by Ulrich Lins
This is Volume 1 of Dangerous Language. This book examines the rise of the international language Esperanto, launched in 1887 …
Justa homenagem a Araceli González
4 stars
Araceli González, a grande agente dupla galega da II Guerra Mundial, junto com o marido Joan Puig, é uma daquelas mulheres enterradas pela história (por mais que, teoricamente, ela própria assim o preferisse). Araceli talvez só não foi mais reivindicada porque ocupa uma posição desconfortável para todas as partes que pugnam pelo relato: luta contra o fascismo na Europa, mas procede de uma família falangista e navega bem no regime. Joan, o marido, deserta da República e detesta o franquismo. Podemos dizer que ambos os dois estão atrapados entre a fidelidade a umas origens familiares aristocráticas/burguesas e os impulsos de uma personalidade libertina que não condiz com os modos de vida propugnados pelos regimes fascistas.
Por outra parte, a biografia familiar do autor também o atrapa no relato: conheceu Araceli e conhece bem o ambiente em que esta cresceu, pois também pertence a ele, mas oferece uma visão muito …
Araceli González, a grande agente dupla galega da II Guerra Mundial, junto com o marido Joan Puig, é uma daquelas mulheres enterradas pela história (por mais que, teoricamente, ela própria assim o preferisse). Araceli talvez só não foi mais reivindicada porque ocupa uma posição desconfortável para todas as partes que pugnam pelo relato: luta contra o fascismo na Europa, mas procede de uma família falangista e navega bem no regime. Joan, o marido, deserta da República e detesta o franquismo. Podemos dizer que ambos os dois estão atrapados entre a fidelidade a umas origens familiares aristocráticas/burguesas e os impulsos de uma personalidade libertina que não condiz com os modos de vida propugnados pelos regimes fascistas.
Por outra parte, a biografia familiar do autor também o atrapa no relato: conheceu Araceli e conhece bem o ambiente em que esta cresceu, pois também pertence a ele, mas oferece uma visão muito maniqueísta da Guerra Civil em que os líderes fascistas são descritos sempre como cavalheiros e os milicianos republicanos como "el terror rojo". O facto de que membros da família do autor tenham sido fuzilados pelos republicanos explica este ponto de vista. Seja como for, e ainda que este aspeto me desagrade imensamente, esta biografia romanceada vale muito a pena.





