Ana-b92 reviewed The lost world by Arthur Conan Doyle (Oxford world's classics)
Brumas sobre o planalto: meu O Mundo Perdido
5 stars
Ao ler O Mundo Perdido, acompanhei o repórter Edward Malone na tentativa de provar seu valor e conquistei, junto com ele, a convicção de Challenger. A expedição — composta por Challenger, o cético Summerlee, o aventureiro Lord John Roxton e Malone — parte ao interior da América do Sul em busca do planalto isolado descrito por Maple White. O relato mistura diário, depoimentos e mapas, e me prendeu pela segurança narrativa: cada evidência é discutida, cada dúvida, posta à prova.
Quando o grupo alcança o planalto e fica preso após a destruição da passagem, a aventura muda de chave. Dinossauros, pterodáctilos e sobreviventes de eras remotas vivem ali, junto de uma tribo humana em conflito com os “homens-macacos”. Senti fascínio e inquietação: o romance articula o encantamento científico com a violência da conquista. A batalha que liberta os indígenas revela coragem e ambiguidade moral; Roxton, sobretudo, encarna essa …
Ao ler O Mundo Perdido, acompanhei o repórter Edward Malone na tentativa de provar seu valor e conquistei, junto com ele, a convicção de Challenger. A expedição — composta por Challenger, o cético Summerlee, o aventureiro Lord John Roxton e Malone — parte ao interior da América do Sul em busca do planalto isolado descrito por Maple White. O relato mistura diário, depoimentos e mapas, e me prendeu pela segurança narrativa: cada evidência é discutida, cada dúvida, posta à prova.
Quando o grupo alcança o planalto e fica preso após a destruição da passagem, a aventura muda de chave. Dinossauros, pterodáctilos e sobreviventes de eras remotas vivem ali, junto de uma tribo humana em conflito com os “homens-macacos”. Senti fascínio e inquietação: o romance articula o encantamento científico com a violência da conquista. A batalha que liberta os indígenas revela coragem e ambiguidade moral; Roxton, sobretudo, encarna essa zona de bravura e risco.
As cenas de observação — pegadas, voo noturno no lago, ataques do ar — constroem uma geografia convincente do improvável. Ao regressar, os exploradores enfrentam o ceticismo londrino. Então apresentam uma prova viva que escapa pelo teto e transforma a descrença em assombro. O triunfo, porém, não é simples glória pública: redefine laços e destinos. Malone revê ilusões afetivas; os companheiros, enriquecidos por um achado inesperado, escolhem novos rumos.
Para mim, O Mundo Perdido permanece uma fábula científica sobre ver e comprovar. A prosa de Conan Doyle combina clareza jornalística e imaginação vitoriana, e me fez sentir o gosto de desbravar com método e espanto. Fechei o livro com gratidão infantil e respeito adulto: às vezes, o desconhecido pede bússola e, outras vezes, apenas um coração disposto a admitir que a realidade ainda guarda territórios em branco.